Sempre deram as mãos.
Passaram a caminhar juntas,
olhando para frente.
Ouviam apenas o estalar dos sapatos nas folhas secas.
O
outono acabara e a primavera dava as caras no tempo, mas ainda havia muitas
folhas no chão
Com o tempo elas sumiriam por conta própria, esfacelando-se no
vento.
- “o que você vai fazer agora?” ela perguntou.
- “ainda não sei bem. talvez eu me mude. estava
pensando no litoral, uma daquelas cidades á beira mar. viver da pesca ou do
artesanato.”
- “você vai ter paciência?”
- “a paciência foi o que mais exercitei neste
ano, embora eu a tenha perdido muitas vezes, mas acho que posso coloca-la em
prática para viver uma nova vida.”
- “ainda vai continuar escrevendo?”
- “eternamente.”
“vou ler sempre. prometo.”
- “está bem.”
Soltaram as mãos devagar, deixando que os dedos
se separassem lentos uns dos outros escorrendo para a distância. sabiam que
havia chegado ao fim. não o amor, mas a união.
Ela continuou andando. A outra ficou parada olhando
para os cabelos dela se bagunçando no vento fraco, ficando longe, devagar, á
passos lentos. ela não olhou para trás. estava decidida. não guardava mais
raiva, nem mágoas, queria apenas mudar de ares agora, ver algo realmente novo.
não estava disposta a se arriscar, apenas a fazer algo diferente, no entanto,
confortável.
A outra voltou-se para o lado oposto pondo-se a
caminhar. não chorava mais, sentia apenas saudade. não era forte ainda, mas
seria...

